domingo, 29 de abril de 2012

O mau líder






Ruth de Aquino - Colunista de revista Época

A acusação é de assédio moral - um fenômeno tão antigo quanto o trabalho, mas hoje levado levado á sério pela sociedade. O juiz Adeildo Lemos de Sá Cruz do Recife, foi punido com aposentadoria compulsória por ofender e humilhar durante anos, seus subordinados. A decisão de punir Sua Excelência foi da Corte Especial do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Uma decisão inédita.

Para os sessenta servidores que pediram transferência ao longo de cinco anos por não suportar a pressão do juiz Adeildo, a punição tem um efeito positivo. Resgata a autoestima. Segundo o processo, Adeildo às vezes, chamava as servidoras de "p...", intimidava os subordinados com uma arma sobre a mesa, estabelecia horário para ir ao banheiro. O digníssimo também é acusado de colocar uma funcionária de cara para a parede, de castigo, por estar insatisfeito com o serviço.

sábado, 28 de abril de 2012







Sexo e Intimidade

Cláudia Mele - Atriz e dramaturga do espetáculo "Antes que você me toque", em cartaz na boate 2A2

quinta-feira, 19 de abril de 2012



"Viver no passado ou no futuro pode ser menos satisfatório do que viver no presente, mas nunca chegará a ser tão decepcionante. O presente jamais será o que foi ou o que poderá ser. Na procura de algo fora do tempo existe um enervante senso de inutilidade e desperança."


Ronald Laing

domingo, 15 de abril de 2012

Neurociência e Psicologia




O medo das incertezas deve ser trabalhado e debatido para que nós, seres humanos tenhamos maior capacidade de agir com flexibilidade e qualidade diante da mudança. Suzana Herculano-Houzel, apresentadora do quadro Neuro-LÓGICA do Fantástico (TV Globo) e Paulo Gaudêncio, médico-psiquiatra, há quatro anos eleito o palestrante do ano, estarão debatendo o tema no dia 24 de abril dentro do Congresso RH-RIO 201 (informações em www.abrhrj.org.br/rhrio2012).

Ela, doutora em Neurociências pela Université Paris VI (França), mestra em ciências pela Case Wertern Reserve University (EUA), e ele docente do Programa Avançado de Desenvolvimento de Executivos UNISINOS (PADE), estarão refletindo com o público sobre como suas especialidades poderão ajudar cada gestor de organização a responder a perguntas, tais como: "De que forma podemos administrar a dor e o desconforto que naturalmente virão com as mudanças?" ou ainda, "É possível ter controle sobre o desapego às crenças e atitudes que se revelam obsoletas para que nos transformemos diante do que demandam a sociedade e o mercado?". Estes e muitos outros, são questionamentos feitos, de forma direta e indiretas por muito RHs em suas organizações.

"O cérebro acha que precisa resolver"

Suzana Herculano define toda mudança como "um estresse que o cérebro precisa resolver". Nessa linha, ela esclarece que o tipo de resposta que o cérebro vai dar, depende de saber se esta mudança foi provocada ou é involuntária. "Se é voluntária, ou seja, a ' sarna que a gente arranja para se coçar', a reação costuma ser altamente prazerosa, mas se, ao contrário, a mudança caiu no nosso colo, de maneira inesperada, tem tudo para gerar preocupação" considera a neurocientista. embora sejam reações que ativem áreas distintas do cérebro, ambas se comunicam. Suzana argumenta que exatamente isso explica o fato de que temos uma resistência natural às mudanças ao mesmo tempo em que somos potencialmente atraídos por ela.

Requalificar medo e agressividade

Instigados por Nelson Savioli, superintendente executivo da Fundação Roberto Marinho, Suzana e Paulo também mostrarão que, na necessidade de provocar mudanças, podemos ter o controle e não sucumbir diante delas. Mais: que é possível desejá-las e por meio delas, gerar inovação.

"O primeiro requisito é tornar-se ciente dos seus sentimentos e impulsos automáticos, para agir sobre eles; a a partir daí, mesmo quem tem tendências pessimistas pode praticar atitudes positivas e buscar, conscientemente enxergar as vantagens da mudança" orienta a apresentadora do NeuroLÓGICA.

Caminhando pela Psicologia, essa busca pede, segundo Paulo Gaudêncio, uma revisão do negativismo que está associado às emoções, sobretudo o medo e a agressividade. O médico-psiquiatra esclarece que o que mobiliza o ser humano é a sua agressividade colocada no sentido positivo: o da coragem - tenho medo, meço minhas forças, acho que dá enfrento". Neste sentido, a Psicologia ajuda o ser humano a despertar a sua maturidade de que segundo Paulo, passa necessariamente por "saber lidar com o medo e a agressividade de tal forma que as opções sejam sempre corajosas ou prudentes, jamais covardes ou irresponsáveis".

Controlar ou não controlar? a questão semântica faz muito sentido. De acordo com Suzana, mais importante do que "ter controle sobre a situação é sentir-se em seu controle". Isso significa, segundo ela, abraçar a mudança jogada em seu colo como algo que você afinal,  considera bom, e, se possível (francamente desejável), algo que você teria escolhido para si mesmo.

Entender os processos que nos intimidam diante da mudança é o primeiro passo para acolhê-los em nossas vidas, como geradoras de novas possibilidades. Este é o ponto que liga o trabalho de Paulo Gaudênio e Suzana Herculano- Houzel ao caminho rumo à inovação, que este congresso RH-RIO 2012 pretende ajudar os profissionais a protagonizarem em suas oraganizações.

Fonte: Jornal O Globo  - Boa Chance (08/04) p.2

sábado, 14 de abril de 2012

A paz: que tipo de paz temos buscado?


Acho essa canção uma das mais inspiradas na recente produção musical brasileira (se não for a mais), pois ela traz reflexões sobre a a vida atual. O vídeo e a letra sugerem questões sociais bem presentes no nosso cotidiano, mas penso que a proposta da letra também se encaixa na paz que temos buscado dentro de nós mesmos para satisfazer ao mundo e negando quem de fato somos. Há um preço a pagar nessa "corrupção" que nos impomos que acaba por repercutir no mundo. O mundo acaba sendo aquilo que fazemos dele. Em tudo que vemos e nos escandalizamos tem um pouco de nós. Daí criticar o que há no mundo é fácil, mas procurarmos entender a nossa contribuição para o que ocorre, é um grande exercício que certamente passa pelo autoconhecimento.






Minha Alma ( a Paz que Eu Não Quero)


O Rappa
A minha alma tá armada e apontada
Para cara do sossego!
(Sêgo! Sêgo! Sêgo! Sêgo!)
Pois paz sem voz, paz sem voz
Não é paz, é medo!
(Medo! Medo! Medo! Medo!)
As vezes eu falo com a vida,
As vezes é ela quem diz:
"Qual a paz que eu não quero conservar,
Pra tentar ser feliz?"
As grades do condomínio
São prá trazer proteção
Mas também trazem a dúvida
Se é você que tá nessa prisão
Me abrace e me dê um beijo,
Faça um filho comigo!
Mas não me deixe sentar na poltrona
No dia de domingo, domingo!
Procurando novas drogas de aluguel
Neste vídeo coagido...
É pela paz que eu não quero seguir admitindo
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir
É pela paz que eu não quero seguir admitindo

Fonte: http://letras.terra.com.br/o-rappa/28945/

domingo, 8 de abril de 2012

Boa o suficiente... para o seu próprio bem


Andrea Pavlovitsch


Descobri uma coisa, por estes dias. Eu sempre soube e todo mundo fica repetindo isso como um mantra, um clichê, sei lá, mas, de fato, eu tenho que admitir que a vida é um desafio. 


Os dias não são todos iguais. A vida não é uma linha reta e se manter em equilíbrio não significa ficar parado. "Tudo muda o tempo todo, no mundo", diria o poeta. E algumas coisas voltam para um ponto central, ficam lá parecendo estagnadas, nos enganando a este respeito.


Nada, nunca, está parado. E ninguém está andando pra trás nunca. Mas essa é a impressão que sempre temos a nosso respeito.


Olhar para si não é a tarefa mais fácil do mundo. Conheci uma moça que quase morreu porque estava como colesterol nas alturas, mas nunca tinha feito um exame. Um simples exame. Até se descobrir num exame de sangue é difícil.


E se, quando abrirmos o envelope, percebemos que não somos tão saudáveis, tão invioláveis e tão perfeitos quanto pensávamos? E se lá estiver a verdade, nua e crua, dizendo que somos humanos, feitos de carne e ossos, e que estamos sujeitos a todo tipo de intempéries? E que andamos comendo demais coisas que "não podem ser comidas"?
O tempo todo estamos sendo julgados, criticados, analisados. Eu, todas as vezes que vou a um médico novo, escuto sempre a mesma frase "precisa emagrecer, hein". Como se eu não soubesse disso e já não me sentisse culpada o suficiente por estar aqui no mundo sendo uma coisa que as pessoas não querem ser. Tendo uma coisa que as pessoas não querem ter e, pior, sendo completamente responsável por isso.


Sim, nós somos responsáveis por nós mesmos. E sim, precisamos fazer algumas coisas para manter certos padrões. Mas cá estou eu aqui de novo falando de padrões. Afinal de contas, quais os padrões que devemos seguir.


Descobri estes dias que eu procuro por modelos. Apesar de tudo, da idade, da maturidade e da minha experiência, me peguei me comparando com uma amiga. Uma comparação baixa, mesquinha, completamente sem noção, mas que, no momento, pareceu fazer todo o sentido. Chorei até, porque, claro, perdi na comparação.


E no final fiquei me perguntando bem alto, quase gritando "Onde está o manual de sobrevivência no mundo?" Não achei, olha que pesquisei bastante. Não existe nenhum manual fora de nós e não, não estamos errados o tempo todo.


Estamos só tentando sofrer o menos possível. Tentando ser felizes, tentando acertar, tentando alcançar sonhos que às 11 da noite nos parecem impossíveis. Uma casa nova, um carro novo, um novo corpo, menos colesterol (ou triglicérides), um amor perfeito, um filho lindo e que fique um bebê pra sempre. Uma vida de teatro, de faz de conta, que nos engana contando uma história que não é nossa.


Aceitar que não somos boas o suficiente. Não somos boas para padrões que não são nossos. Não somos, talvez, o primeiro lugar no campeonato e, se formos, será só por um período. Não estamos numa corrida de obstáculos tentando não cair e quebrar a cara. Não estamos aqui para ser como todo mundo.


Se você é diferente, nem que seja um pouquinho (e aqui entra todo mundo que é diferente por algum motivo (religioso, sexual, emocional, psicológico, físico) você não pode se comparar. Porque o Universo já te mandou para ser único. Porque você já é um ser único no planeta, não veio pra completar um padrão, veio pra mostrar que é possível fazer diferente. E se você aceitou esse desafio a sua vida não vai ser fácil. A minha não é! Ela parece fácil, mas ela é uma complicação diária de sentimentos, de serotonina, de fome, de amor e da falta dele. De inveja, de cobiça, de caos, de faltas e sobras.


A vida é o que fazemos dela. Ela é o que nos liberta, o que nos admite como humanos, o que nos faz sermos únicos. E sim, pode ser que nunca, ninguém no mundo admita isso e te dê um troféu. Mas não estamos na vida pra ganhar medalhas e pendurá-las na parede, para depois aposentar e ir morar num rancho com elas empoeirando lá. Somo vivos, pessoas, para nos desafiarmos, desafiar o que nos incomoda no mundo e sim, incomodar muito. Não existe um bom e um mal. Existe o que somos e o que não somos! E só!


Se um elefante incomoda muita gente, é melhor chamar o circo!

sábado, 7 de abril de 2012

Entrevista com Mônica alvarenga






'O principal exercício a fazer é o da escuta'

 * Inovar a partir de um profundo mergulho no presente é o que sugere a Teria U, concebida por Otto Scharmer, do Massachussets Institute of Tecnology (MIT). Adepta da proposição, a consultora organizacional Mônica Alvarenga ressalta que escutar o outro é o passo inicial para se romper com estruturas antigas: "o líder será tão bem-sucedido quanto sua capacidade de abrir mão do próprio conhecimento", diz.

O GLOBO: O que a Teoria U estabelece?
MÔNICA ALVARENGA: A Teoria U é uma proposta de ação voltada para inovação, concebida por Otto Scharmer, professor do MIT, para quem o mergulho presente facilita a abertura para o novo. Após anos de observação, ele sistematizoou o comportamento comum em lideranças bem-sucedidas na metodologia chamada de presencing palavra que cunhou juntando outras duas: presença e sentimento. O presencing facilita a transformação, que costuma acontecer durante momento de crise.

* Mas como esse mergulho facilita o contato com algo que ainda não foi pensado?
MÕNICA: A letra U simboliza o movimento proposto que se inicia quando percebemos e ultrapassamos nossa forma mais comum de agir, com base em aprendizados passados, e continua quando conseguimos ver e sentir a partir de perspectivas diferentes. Aí em estado de atenção profunda, surgem novas idéias e possibilidades de realizações transformadoras. O mergulho no presente exige abertura e, por isso, o professor diz que o principal exercício a fazer é o da escuta. Escutamos o outro, de fato, quando silenciamos a nós mesmos.

* Como se fosse preciso ir ao fundo do poço e voltar?
MÕNICA: Sim. quase isso! Precisamos da crise para ter coragem de deixar para trás o que já não nos serve mais. É a ruptura que nos permite acessar o novo.

* Pode nos dar resultados já obtidos a partir da teoria?
MÔNICA: Numa das empresas em que apliquei a Teoria U, começamos promovendo a qualidade da escuta. Com dinâmicas reflexões por seis meses, integramos departamentos e equipes, aumentando o diálogo e a percepção de que formam um todo. Idéias surgiram, mas realizá-las exige ousadia e confiança em quem está ao lado.

* Por isso, a escuta é um exercício tão importante?
MÔNICA: Sim, o líder atual será tão bem-sucedido quanto sua capacidade de abrir mão do próprio conhecimento. É essa qualidade que permite atuar a partir do futuro. ele só emerge quando ousamos agir a partir do desconhecido.
Fonte: Jornal - O GLOBO -Caderno Boa Chance 25/03

domingo, 1 de abril de 2012

A dor do outro: a humanização do profissional de saúde

obs: ao trazer uma parte deste texto, me refiro a todos os profissionais de saúde. Me incluo.

(...) Falamos de dor e ouvimos digressões acerca dos avanços tecnológicos da medicina. Falamos de empatia e ouvimos elogios aos novos descobrimentos da informática, que em muitos casos dispensam a figura do profissional de saúde, prescrevendo receitas, fazendo diagnósticos e até mesmo promovendo algum tipo de aconselhamento ao paciente.

Falamos em angústia e ouvimos acerca dos avanços medicamentosos que tratam da depressão, do pânico e de outras tantas manifestações do desespero humano.

a dor e a pessoa do paciente podem interessar em apenas alguns aspectos do desdobramento, mas raramento poderão significar algo em termos tangenciais no próprio significado da condição humana incluindo-se aí desde de conceitos como solidariedade, fraternidade e ternura até outras tantas manifestações que decididamente nos. Pessoas humanas! Por mias redundante que essa junção possa significar.

A empatia genuína é algo que nos torna capaz de um envolvimento com a dor do paciente na sua condição humana, estabelcendo-se uma relação interpessoal entre dois humanos (...)

A dor, circunstancialmente está presente na pessoa do paciente, mas igualmente pode, a qualquer momento manifestar-se também na figura do profissional de saúde. Por outro lado, a própria configuração do sofrimento e empatia com a dor do outro, não nos torna mais ou menos eficientes em nossa performance profissional. Ao contrário, sem dúvida, podemos afirmar que a nossa performance profissional será muito mais ampla e profunda, com a nossa condição humana sendo exercida em sua totalidade.

Fonte:
Valdemar Augusto Angerami - Temas Existenciais em Psicologia - Editora Thomson 2006
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