domingo, 27 de novembro de 2011

Drogas: cidadania e cuidado são chaves da Psicologia


Considero importante trazer à tona a questão da internação compulsória aos usuários de crack e as outras drogas acabam também entrando na discussão, que vem sendo corretamente vista como um problema de saúde pública. Será que todas as partes envolvidas neste processo estão sendo corretamente abordadas? Talvez, neste momento seja importante somar as informções que nos chegam para que sendo necessário, convocar à sociedade para deliberar sobre este e todos os assuntos que nos dizem respeito que as decisões, sejam quais forem, não sejam tomadas à nossa revelia, pois vivemos em sociedade e tudo direta ou indiretamente acaba nos atingindo.O consumo de álcool e outras drogas é um problema que atinge todas as camadas da população. Trouxemos aqui o olhar específico da Psicologia. Ficando também em aberto este espaço para quem desejar trazer sua opinião.




Atenção, escuta e respeito. São estes os ingredientes básicos apontados por especialistas para a relação entre usuário de álcool e outras drogas e os psicólogos. A experiência mostra que mais do que abstinência, adultos, crianças ou adolescentes em situações de vulnerabilidade precisam de cuidado.
Segundo o atual coordenador do Polo de Pesquisa em Psicologia Social e Saúde Coletiva da Universidade de Juiz de Fora, Telmo Ronzani, a postura preconceituosa da sociedade, que muitas vezes repercute nas políticas públicas e mesmo no contexto clínico ou do serviço, traz impacto direto na qualidade e no resultado das ações para prevenção, reabilitação ou reinserção social. Para o professor, o fortalecimento de políticas públicas inclusivas para essa população deve dar-se com o entendimento que os usuários de drogas são cidadãos que têm direito ao cuidado.
Pelo fato de os usuários ainda serem vistos e vinculados ao tráfico ou a comportamentos criminosos, o uso e a dependência são muitas vezes interpretados como escolhas pessoais. De acordo com Telmo Ronzani, "Parar ou não de usar a substância também vira um problema do usuário, que é visto como fraco ou sem força de vontade."
O fortalecimento de políticas públicas inclusivas passa pela compreensão de que a necessidade de tratamento não exclui ou anula os direitos de cidadania do usuário.
O psicólogo e psicanalista argentino Antônio Lancetti também ressalta o cuidado como sobrerano na relação com o usuário de drogas. "Às vezes aproximar-se é de uma complexidade enorme. Todo mundo tem medo deles", diz Lancetti. Mas chegar perto e conversar com o usuário é o primeiro passo. O pedido de ajuda, segundo ele, vem com a demanda de atendimento à saúde, mesmo que inicialmente o usuário rejeite auxílio.
"Mas muitas vezes, no final, eles pedem a internação. Querem uma fórmula mágica, como se independesse de sua participação", conta, relatando experiência com população de rua. Segundo Lancetti, ao ser internada - mesmo que não compulsoriamente -, a maioria fica um tempo nas clínicas e volta em seguida para as ruas.
Cuidado sem internação
Antônio Lancetti é, atualmente, supervisor do programa de saúde mental do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD) de São Bernardo do Campo, São Paulo, que funciona 24 hora, inclusive nos finais de semana.
Lancetti resslta a importância, a dificuldade e o desafio de tratar crianças e adolescentes. No Caps de São Bernardo, os cuidadores buscam propostas que permitam a saída do local: jogar bola, assitir filmes à noite. "esta metodologia é tão interessante que um promotor da cidade já se manifestou contra as internações", conta Lancetti.
No Caps Ad do Guará, no Distrito Federal, o foco dos trabalhos está nas terapias em grupo, que segundo uma das psicólogas do local, Andréia Lima, aliviaram bastante a aagenda superlotada do Centro de Atenção. Atualmente, são 180 pacientes em atendimento para três psicólogos, sendo dois deles com 20 horas semanais de trabalho. Por conta disso, o Caps conta com o apoio de redes intersetoriais, como universidades e hospitais. Em casos graves de desintoxicação, os pacientes, são encaminhados aos hospitais regionais e gerais que acionam os hospitais psiquiátricos quando constatada a necessidade de avaliação psiquiátrica.
Outro mecanismo adotado pela instituição foi a triagem, na qual pacientes recém-chegados, em grupos de 30, apresentam suas demandas aos psicólogos. No encontro profissionais tentam desmistificar a ação da Psicologia no tratamento da depedência química: "Os usuários conseguem parar e pensar em si: eu existo, tenho emoções e sentimentos", conta Lima.
Além disso, todos os dias são relizadas atividades, como oficinas de desenho, sessões de filmes e reflexões sobre ética e justiça, grupos de desabafo e grupos com as famílias dos pacientes.
No Caps do Guará a abstinência è incentivada, mas o objetivo maior está no resgate da cidadania do usuário, que envolve o trabalho de redução de danos. A aproximação, com confiança e dignidade, segundo Lima, é o que cria o vínculo. É "fazer com que a pessoa olhe para você, veja que você compreende o processo pelo qual ela está passando e que você está ali para apoiá-lo, mas deixando claro que sem a vontade dela ninguém vAI conseguir ajudar", conta. Um dos pacientes acolhidos pela psicóloga, apareceu certo dia no Caps "totalmente perdido e desesperado". Hoje, fortalecido, caminha muitas vezes cerca de 20km para ir da cidade satélite de Taguatinga, onde mora, para o tratamento no Guará.
Usuário precisa de cuidado, atenção e dignidade.
Consultórios de rua
O projeto dos consultórios de rua surgiu no fim da década de 1990 em Salvador (BA), para atender pessoas em situações de risco vulnerabilidade social. Consiste em uma equipe que circula - em percursos criados com base nas demandas analisadas - com um ambulatório móvel. Em vez de esperar que as pessoas venham até a equipe, composta em sua maioria por profissionais de saúde, vai ao encontro de quem precisa. Para a conselhiera Heloísa Massanaro, do Conselho Federal de Psicologia (CFP), a iniciativa abre portas para grupos sociais vulneráveis, pois leva outra lógica de ajuda: "O preconceito é grande e muitas vezes o sujeito nem procura o serviço de saúde por causa disso".
 Em Goiânia, GO, os consultórios funcionam desde de abril de 2011 e, segundo a coordenadora do projeto na cidade, a psicóloga Elaine Mesquita, o principal objetivo - a formação de vínculos para proporcionar maior acolhimento aos moradores de ruas - tem sido alcançado. "Como a lacuna na vida dessas pessoa é enorme, assim como suas demandas, a receptividade é muito grande.. Nosso principal instrumento é a afetividade". em Teresina (PI), os consultórios de rua também foram implantados recentemente, mas já apresentam bons resultados. a única enfermeira do projeto, Christina Mayra de Castro, diz que os usuários não têm problema em dizer à equipe, por exemplo que usam drogas. "Eles veem que nós não estamos ali para julgá-los", avalia. Muitos dos atendidos já procuram o grupo e aguardam a chegada da Kombi nos horários previstos. "A intenção dos consultórios é não só ir até o espaço dos moradores de rua, mas ir até eles respeitando o seu modo de vida">, diz a enfermeira. em casos mais sérios, relacionados à droga ou não, a equipe encaminha a pessoa às unidades de saúde. Lá é feito um trabalho prévio com os profissionais que atenderão o paciente, para que o recebam de forma inclusiva. "Este novo olhar vai se espalhando e outras instituições vão se abrindo. Elimina o preconceito e facilita que pessoas busquem esses locais de ajuda", explica Mesquita. Uma das medidas que a psicóloga sugere é a desconstrução do discurso de que as drogas e a violência são a causa dos problemas: "Exclusão, desemprego, lares desestabilizados, estes sim são os verdadeiros causadores. As pessoas querem simplificar um fenômeno que é bem mais complexo", afirma. Dentre os mais de 30 mil moradores de rua identificados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) em pesquisa de 2007 a 2008, 35% apontaram a dependência química como principal razão pessoal da situação de rua, seguida pelo desemprego (30%) e pelos conflitos familiares (29%).
Internações por drogas: novos manicômios
Os movimentos dos agentes de cuidado, no entanto, são muitas vezes confrontados com a ação da polícia, qua realiza os conhecidos "rapas". Para Mesquita, os atores das políticas públicas precisam chegar a um entendimento sobre a forma da abordagem: "as diferenças têm de ser conciliadas, por meio da união dos esforços entre os diferentes setores". No caso dos consultórios de rua de Goiânia e Teresina, houve conversas prévias com os agentes de polícia o que tem facilitado a atuação das equipes de saúde.
Comunidades terapêuticas e internação compulsória: direitos em risco
O financiamento público das comunidades terapêuticas - instituições que internam usuários de drogas - pelo Mnistério da Saúde e a defesa de medidas de internação compulsória por diversas prefeituras dos estados brasileiros têm provocado estranhamento e reação de setores da sociedade, particularmente de entidades de direitos humanos, da luta antimanicomial e da redução de danos, além do Conselho Federal de Psicologia (CFP).
O presidente do CFP, Humberto Verona, critica o fato da mídia e governo estarem ouvindo muito mais os atores a favor do financiamento público das comunidades terapêuticas e da internação compulsória de usuários de drogas ilícitas. Segundo ele, não há abertura para a opinião de movimentos sociais, dos movimentos de usuários de álcool e outras drogas, dos psicólogos, do CFP e da Rede Nacional Internúcleos da Luta Manicomial (Renila)
O CFP e sua Commissão Nacional de Direitos Humanos vem buscando espaços para apresentar sua perspectiva sobre o tema em atividades no Congresso Nacional e em reuniões com a Secretaria - Geral da Presidência da República.
Não à internação compulsória. Sim ao tratamento em liberdade
Internação: retrocesso na luta antimanicomial
Foi determinado - em regulamentação publicada no Diário Oficial do MUnicípio do Rio de Janeiro, em maio de 2011 -, que crianças e adolescentes, apreendidos (verbo coisificante, grifo meu) em "cracolândias", deveriam ser internados para tratamento médico contra a sua vontade ou a de seus familiares. Em São Paulo, a prefeitura deu o primeiro passo, no mês de julho, para a adoção de internação compulsória, com a implantação de sistema semelhante no Rio de Janeiro. A medida - ainda em análise - pode ser adotada tanto para crianças e adolescentes usuários de drogas quanto para adultos.
Usuário é cidadão. Usuário não é monstro.
Segundo a coordenadoria técnica de Saúde Mental da Secretaria de Saúde do município de São Paulo, Rosangela Elias, nos últimos dois anos, 4 mil moradores de rua foram encaminhados para atendimento médico. Isso resultou em 1,7 mil internações, 111 delas invonluntárias ou compulsórias.
Heloísa Massanaro lembra que as medidas da internação de usuários que vivem nas ruas são verdadeiras políticas higienistas, com olhos para grandes eventos que serão realizados no país: Isto mostra um momento histórico de muito retrocesso, que tem acntecido em grande parte em função da Copa do Mundo de 2014. É uma política de fracasso".
Segundo a conselheira do CFP, quando as pessoas têm recaídas, as críticas costumam cair sobre o Caps, com a justificativa de que eles falharam no tratamento. "Mas a internação como única forma de cuidado, a história já demonstroou que não trata, apenas exclui. Já o tratamento em liberdade possibilita que a pessoa se reinvente", diz Massanaro. O caminho, portanto, seria fortalecer e ampliar o Caps e a rede de assistência, permitindo atenção e cuidado em meio aberto.
A representante da Renila e membro da Comissão de Direitos Humanos do CFP, Rosemeire Silva, acredita que a adoção da medida de internação compulsória contraria o que dispõe a Lei 10.216/91, que institui a reforma psiquiátrica antimanicomial e trata o usuário de álcool e outras drogas como um perigo para a sociedade.
"O governo tem que ter cautela, pois a adoção dessa medida nacionalmente deixa-o com uma única saída: impor a força", diz Silva. Segundo ela, é sempre possível convidar o usuário a consentir no tratamento.
Comunidades terapêuticas: contra o financiamento público
A presidenta Dilma Rouseff, em pronunciamento nacional realizado no dia 6 de setembro, anunciou que será lançada uma rede de cuidados em saúde mental, crack, álcool e outras drogas, que inclui o financimento público a comunidades terapêuticas.
A rede faz parte da parceria que o Ministério da Saúde propõe, na sua Política de Saúde Mental, com estados e municípios. Serão ofertados em um mesmo território, unidades básicas/ Programas de Saúde da Família, consultórios volantes para abordagem e cuidado das pessoas em situação de rua, enfermarias especializadas em pacientes usuários de álcool e drogas, unidades de acolhimento para pessoas que necessitem de internação prolongada, parcerias com entidades do terceiro setor e comunidades terapêuticas.
Dos R$ 410 milhões previstos para quatro órgãos federais inseridos no Plano de Enfrentamento ao Crack, lançado em 2010, foram investidos R$70 milhões pela pasta da Saúde até julho deste ano. Esses recursos foram aplicados em ações que incluem desde a aquisição de equipamentos, custeio e implantação de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) até o financiamento de leitos de internação espcíficos para usuários e álcool e drogas e em comuniddes terapêuticas.
O financiamento público às comunidades terapêuticas, segundo o presidente do CFP, Humberto Verona, vai na contramão das práticas clínicas e políticas reafirmadas pela IV Conferência Nacional de Saúde Mental de 2010, que reforçam o tratamento em meio aberto e o respeito aos direitos humanos dos usuários. Denúncias de maus - tratos têm se multiplicado - cerca de 40 foram apresentadas pela Renita e pelo CFP à Secretaria de Direitos Humanos e, por meio dela, à Presidência da República.
Em que a Psicologia pode atuar?
O CFP reforçou sua opinião contrária às comunidades terapêuticas, no manifesto "Drogas: pelo tratamento sem segregação" (disponível em http://drogasecidadania.cfp.org.br/) e em seu posicionamento, ambos divulgados em agosto: Os recursos do SUS devem ser destinados à criação e ampliação da rede de serviços substitutivos e não a lugares e instituições com princípios e formas de atuação contrários à ética que os sustenta: a defesa dos direitos humanos, à liberdade e à inclusão dos usuários no território.
Para saber mais sobre Psicologia, cidadania e drogas, visite
Fonte: Jornal do Federal - Outubro de 2011

sábado, 26 de novembro de 2011


Você está pronto para o sucesso?

Estou aqui sentada, no meio do meu feriado, assistindo o Luciano Huck dar uma entrevista para Fernanda Young na GNT. Ela diz que ele é considerado "mala" por algumas pessoas e ele responde, muito complacentemente "pois é, não dá pra agradar todo mundo, toda unanimidade é burra".


Ao mesmo tempo abro os meus e-mails e vejo um de crítica a um dos meus textos. Não vou falar sobre o que porque entraria em outras vertentes que não interessam, mas senti meu corpo gelar quando vi que se tratava de uma crítica. E sim, preciso aprender mais sobre isso. 


Uma vez eu ouvi a frase "Você está mesmo preparado para o sucesso?". A primeira reação quando ouvimos isso é dizer um sonoro "Claro que sim", não é mesmo? Quem não quer o sucesso, ser reconhecido como uma pessoa do bem, que fala coisas legais, que é seguido pelas pessoas? Quem não quer os louros que isso nos trás como o dinheiro, a fama e principalmente as oportunidades que podem vir junto com o sucesso? É. Mas não é bem assim. E existe sim um "não" poderoso que pode ecoar lá dentro da gente e nos fazer sentir um frio no corpo quando escuta uma crítica. 


As pessoas de sucesso são atacadas. Veementemente atacadas. E não estou falando de mim não, que não estou neste ponto. Mas pensei em pessoas como o Luciano Huck. Eu, particularmente, gosto dele. É um cara de boas idéias e boas intenções, por mais que eu acredite que muitas vezes seu programa é meio pedante demais, mas mesmo assim eu gosto. Gosto de pessoas que se preocupam em transformar e ajudar na transformação dos outros, mas, com certeza, e você até pode ser uma destas pessoas, algumas não gostam. Ou muitas não gostam e tem críticas ferrenhas a fazer a ele. 


E tem razão. E tem direito! Não existe essa de querer agradar todo mundo com o que você faz, ou escreve, ou apresenta. Na hora em que você se coloca numa posição mais importante do que maioria, de mais poder e prestígio, você tem que pagar o preço. Porque é um direito das pessoas não gostar das outras, assim como tem gente na TV e na mídia que eu não suporto. É um direito que fere, em algum grau, o direito dos outros? Não sei, depende de como você lida com isso. 


Alguns textos meus já geraram muita discussão e controvérsia. Já recebi críticas cruéis, já li coisa até sobre a minha pessoa por coisas que eu escrevi (o que me parece injusto, porque eu inteira não sou só o que eu escrevo). Mas claro que escritores colocam muito de si no papel. E claro que eu não vivi todas as experiências do Universo. Eu vivi algumas coisas e escrevo sobre as coisas que eu vivi ou que vi outras pessoas vivendo. Sei de algumas dores de perceber, de sentir e foi pra isso que o Universo me muniu de uma sensibilidade extrema (que em alguns graus até me atrapalha), para que eu possa sentir experiências e não necessariamente precise participar delas. E eu escrevo do ponto de vista geral, do todo. Não falo sobre problemas específicos a não ser que eu tenha realmente passado por eles. 


Já vi muita coisa. Dentro do meu consultório, na minha vida. Já passei por coisas que eu não conto e que, na realidade, são só histórias. E destas historias eu tirei os aprendizados que eu tenho hoje. E sim, ainda tem muitas, muita coisa lá fora que eu preciso aprender. Mas não posso deixar de escrever porque alguém se sentiu ofendido, ou porque eu falei de algo que a pessoa entende diferente. As pessoas têm o direito de entender e sentir diferente. Vivemos um mundo com muitos graus de entendimento (e não leia isso como superior ou inferior, mas sim como experiências paralelas) e é claro que nem tudo o que eu disser, escrever, passar as pessoas vão se identificar. Mas a minha grande lição com este e-mail em específico, por exemplo, é o que eu estou deixando entrar em mim vindo do outro. 


Pessoas são pessoas. Só isso. E aqui e agora eu abdico da minha necessidade infantil de agradar a gregos e troianos. Ser a gente mesmo, assumir isso é se bancar. Bancar quem você é no Universo. Isso é simplesmente maravilhoso e atrai todas as energias boas para você. E o preço é ler críticas ao seu trabalho e não se deixar derrubar por isso. 


Não sinto mais gelo. Sinto um calor. De uma pessoa que pode sim ter criticado, mas porque isso a tocou de alguma maneira e possivelmente a fez pensar. Repensar. Ficar com raiva, não sei, mas qualquer coisa que sim, ela precisava sentir e entender. Tudo está sempre certo. 
Andrea Pavlovitsch 
(11)81327126 
www.stum.com.br/andreateixeira 
www.twitter.com/licksa 

domingo, 20 de novembro de 2011

TERRA DOS HOMENS - Seminario A Familia no Brasil Hoje - 22 e 23 novembro





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A ATF-RJ Colabora na divulgação.

SEMINÁRIO NACIONAL ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA TERRA DOS HOMENS
"A FAMÍLIA NO BRASIL HOJE: NOVAS IDÉIAS, NOVAS PRÁTICAS"
22 e 23 de novembro - Terça e quarta feira das 9h às 18h
Local: Faculdade Cândido Mendes - Teatro João Theotonio - Rua da Assembléia 10 - Centro - Rio
Inscrições e informações: As inscrições são GRATUITAS e poderão ser feitas pelo e-mail
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA TERRA DOS HOMENS - terradoshomens@terradoshomens.org.br  (21) 2524-1073, ramal 24.

terça-feira, 22 novembro
9h30 às 10h – Mesa de Abertura
10h às 12h – Conferência: Vanna Puviani (Itália)
Coordenação: Cynthia Ladvocat (Associação de Terapia de Família/RJ)

14h às 16h - Mesa Redonda: "Diferentes Contextos de Violência".
Maria Clara Gomes Silveira de Sá Ribeiro (CAPS Raul Seixas/RJ) – "Drogadição e o trabalho com  famílias na saúde publica"
Carlos Zuma (Instituto NOOS/RJ) – "O trabalho com os homens autores de violência: desafios e conquistas"
Valeria Brahim (Terra dos Homens/RJ) – "Enfrentamento à violência sexual infanto juvenil"
Coordenação: Alexandre F. Nascimento (FIA/ FIOCRUZ/RJ)

16h às 18h - Mesa Redonda: "Outros contextos de ação, novas propostas de intervenção"
Luciano Ramos (Terra dos Homens/RJ) – "A ação em Rede na proteção à infância: a experiência de Duque de Caxias".
Cristina Masson (Delegada da divisão de Referência da Pessoa Desaparecida/MG) – "A experiência do trabalho com famílias de crianças desaparecidas"
George Cleber (Centro Cultural A historia que eu Conto/RJ). "Trabalhando em comunidade de baixa renda: produzindo outros olhares e perspectivas".
Coordenação: Eufrásia Maria Souza (Defensoria Pública/RJ – CEDEDICA)


quarta-feira, 23 novembro

10h às 12h - Mesa Redonda: "O acolhimento Institucional hoje".
Simone Assis (FIOCRUZ/RJ) – "Pesquisa Nacional sobre Abrigamento de Crianças e Adolescentes"
Isis Araújo (Casa de Passagem Olinda/PE): "Experiência de um aparelho de atendimento"
Maria Lucia Gulassa (NECA/SP): "A experiência da formação de trabalhadores de abrigos"
Coordenação: Ministério Público / RJ
12h às 14h – Almoço
14h às 16h - Mesa Redonda: "Família Acolhedora: a experiência hoje"
Magui Palau (Enfoque Niñez/Paraguai)
Janete Valente (Prefeitura de Campinas /SP)
Claudia Cabral (Terra dos Homens/RJ)
16h às 18h – Conferência. Guy Asloos (Canadá)
Coordenação: Jacques Schwarzstein (UNICEF/RJ)






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Carmen Lucia Pinheiro
Psicóloga, Psicopedagoga,
Terapeuta de Família e Casal

consult: 25215297  --  98042021
Ipanema


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Motivação: a chama que aquece a alma



Há momentos na vida que nos convidam a reavaliar os caminhos já percorridos, pensar nas escolhas que foram feitas, se na vivência das mesmas, ainda há a mesma chama que as motivou. Escolher uma profissão, um amor para dividir a vida, estabelecer metas diversas neste nosso constante querer mais, este caminhar-além que nos caracteriza e nos faz humanos.

A chama primeira que aquece a nossa alma e nos faz caminhar na direção daquilo que queremos. Quando conquistamos, o nosso entusiasmo permanece? Ou estamos apenas no "piloto automático"? Será que o que acreditávamos de modo entusiasmado perdeu a vitalidade ou se transformou em outra coisa? Quando falo disso, não estou me referindo só a  trocar um celular, ou adquirir a casa própria, mas sim dos nossos valores mais caros, aqueles que nos definem, que construíram a nossa identidade. Por exemplo, quando escolhemos uma profissão existem um sistema de valores que a rege e garantem o seu exercício correto. Não é possível fugir ao código de ética das profissões, pelo menos é o desejável. Embora tudo seja mutável, há certos princípios mais profundos que governam as nossas ações.

Há momentos enfim, que a nossa vida toma certos "atalhos" e a gente vai se perdendo do que realmente é essencial para nós, aquilo que um dia fez a nossa alma se acender e sair à procura, criar. Será que temos tomado mais atalhos porque isso representa ser "responsável". "realista" e assim termos a segurança (?) da consideração dos outros?

Costumo definir motivação como um sentimento de entusiasmo que nos leva a criar, nos realizarmos e se manter motivado é aprender a ir em busca do que realmente somos sabendo que é mundo é o que e as pessoas são o que são. Ou seja, entre a criação e a concretização haverá um caminho sempre inesperado. É um exercício aprender a ver o inesperado como um ingrediente do caminho.

O correr da vida e os atalhos dolorosos ou até atrativos, fazem com que a gente em certos momentos, perca de vista o contato como esta coisa valiosa que nos faz ser quem somos, mas esta chama cheia de vida e luz que todos temos está no mesmo lugar: na nossa individualidade, a nossa marca como seres no mundo, únicos e irrepetíveis. Viver é uma viagem e buscar dar sentido a esta "passagem" é a tarefa de toda uma vida. Então, o que te motiva?



domingo, 13 de novembro de 2011

Limites e possibilidades: a dança da Vida





"Sempre estamos em um contínuo ver-a-ser e um ainda-não (...). O desdobramento das possibilidades está em nós mesmos e a condição primeira para que isso ocorra é a superação de limites e horizontes perceptivos."
Angerami- Camon
Psicologia Fenomenológico Existencial

sábado, 12 de novembro de 2011

Trabalho: relações mutantes




Trabalho = teatro de improvisações
Entrevista: Jay Cross

workshops são considerados ótima oportunidade para qualificar equipes. Mas o americano Jay Cross, pesquisador e executivo da Internet Time Alliance, provoca empresas ao defender que tal atividade seja dirigida apenas aos que estão em início de carreira. Quem não é mais calouro, defende, deve investir no eLearnig, num aprendizado informal via redes sociais.

O GLOBO: Por que workshos só para calouros?
JAY CROSS: Até certo tempo, as pessoas eram pagas para seguir instruções. Pensávamos que poderíamos treiná-las para fazer seus trabalhos. O trabalho agora é mais um teatro de improvisação. Os trabalhadores têm de enfrentar situações inesperadas. Eles não têm tempo para serem treinados, pois devem resolver os problemas na hora.

Foi pensando assim que chegou ao eLearning?
CROSS: eLearnig é o casamento entre aprendizado e redes. Não inventei isso, mas sim fui a primeira pessoa a usar o termo eLearnig na web. O termo surgiu quando a web se tornou popular. O eLearning tem potencial para crescer em grande escala e sem custos e está disponível 24 horas durante toda a semana.

O que possibilitou o aprendizado pela rede social...
CROSS: As redes permitem que as pessoas discutam o que estão aprendendo, que façam perguntas e resolvam problemas em conjunto.

Como o conhecimento informal poderia  desenvolver as empresas?
CROSS: Aprendizagem informal é a principal forma de aprendizagem no trabalho. O trabalhador aprende muito mais com a experiência do que com workshops. Aprendizagem formal é ideal para iniciantes. Cursos e oficinas são ótimos para quem ainda não tem estrutura e conhecimento na área. É isso que está por atrás do paradoxo da aprendizagem informal: o fato de as empresas investirem mais na aprendizagem formal enquanto o trabalhador aprende principalmente via meios informais. Treinamento corporativo é para novatos.

O Brasil tem potencial para este trabalho?
CROSS: A aprendizagem é social. As redes sociais são vitais para para a concretização da aprendizagem informal hoje. Isso dá aos brasileiros, que são naturalmente sociais uma vantagem. O Brasil é certamente bem posicionado para o aprendizado.

Fonte: O GLOBO - Boa Chance/ Click (30/10)




domingo, 6 de novembro de 2011

Homenagem ao centenário do poeta de múltiplas faces: Carlos Drummond de Andrade

As contradições do corpo
Carlos Drummond de Andrade

Meu corpo não é meu corpo, 
é ilusão de outro ser, 
Sabe a arte de esconder-me
e é de tal modo sagaz
que a mim de mim ele oculta.

Meu corpo, não meu agente, 
meu envelope selado,
meu revólver de assutar, 
toornou-se meu carcereiro
me sabe mais que me sei.

Meu corpo apaga a lembrança
que eu tinha da minha mente,
Inocula-me seu patos
me ataca, fere e condena
por crimes não cometidos

Seu ardil mais diabólico
está em me fazer doente.
Joga-me o peso dos males
que ele tece a cada instante
e me passa em revulsão

Meu corpo inventou a dor
a fim de torná-la interna,
integrante do emu Id,
ofuscadora da luz
que aí tentava espalhar-se

Outras vezes se diverte
sem que eu saiba ou deseje,
 e nesse prazer maligno,
que suas células impregna,
do meu mutismo escarnece.

Meu corpo ordena que eu saia
em busca do que não quero,
e me nega, ao se afirmar
como senhor do meu Eu
convertido em cão servil.

Meu prazer mais refinado,
não sou eu quem vai senti-lo
É ele, por mim, repace
e dá mastigados restos
à minha fome absoluta.

Se tento dele afastar-me, 
por abstração ignorá-lo,
volta a mim, com todo o peso
da sua carne poluída,
seu tédio, seu desconforto

Quero romper com meu corpo,
quero enfrentá-lo, acusá-lo,
por abolir minha essência, 
mas ele sequer me escuta
e vai pelo caminho oposto.

Já premido por seu pulso
de inquebrantável rigor
Não sou mais quem dantes era:
com volúpia dirigida,
volto a bailar com meu corpo.

sábado, 5 de novembro de 2011

Vitórias, Belezas e Desafios: Ser Grato




Quando olho para mim hoje vejo que tenho tanto ainda a melhorar e muito pouco considero aquilo que já sou capaz de fazer e antes não era. Como diz uma linda canção de Djavan, Esquinas: "só eu sei as esquinas por que passei". Verdade, mesmo que ainda me sinta no deserto das ainda infrutíferas tentativas de modificar o que  considero ser importante mudar, olho para trás e vejo que há longas pegadas neste mesmo deserto. Mesmo nos momentos mais "áridos", aconteceram momentos de alegria que se seguiram  e pude bailar sentindo o beijo do vento.

Certa vez uma amiga escreveu um texto falando das emoções boas que ela teve comparando com o nascimento da filha e no final ela falava do ato de ser grato à Vida. Isto me tocou de modo especial, pois quase sempre nos esquecemos desta essencial gratidão, não tanto em função das coisas que ainda não conquistamos, mas pelo que já vivemos, já conquistamos.

Muitas vezes a gente tem o hábito de materializar a felicidade, costumamos dizer: "só serei feliz quando...". Começo a perceber lentamente que ser grato à Vida envolve tudo; a realização dos sonhos, mas principalmente aquilo que você não entendia e agora entende e já se sente capaz de fazer diferente, aquelas conquistas silenciosas que só você entende e que te fazem olhar a vida de outro modo; ouvir um pássaro que canta, andar na praia e respirar fundo sentindo a brisa do mar, estar com os amigos... Ah sei lá, o que você observa dete momento que vive? Você costuma agradecer à vida pelas suas experiências?
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