JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

Texto: Paulo Freire. Pedagogia da Esperança. Rio de Janeiro.Paz e Terra, 1992, p. 47-49





" Minha experiência vinha me ensinando que o educando precisa de se assumir como tal, mas assumir-se como educando significa reconhecer-se como sujeito que é capaz de conhecer e que quer conhecer em relação com outro sujeito capaz de conhecer, o educador e, entre os dois, possibilitando a tarefa de ambos, o objeto do conhecimento. Ensinar e aprender são momentos de um processo maior, o de conhecer, que implica re-conhecer. No fundo, o que eu quero dizer é que o educando se torna realmente educando quando a medida que conhece ou vai conhecendo os conteúdos, os objetos cognoscíveis, e não à medida que o educador vai depositando nele a descrição dos objetos, ou dos conteúdos.

O educando se reconhece conhecendo os objetos, descobrindo que é capaz de conhecer, assistindo à imersão dos significados em cujo processo se vai tornando também significador crítico. Mais do que ser educando por causa de uma razão qualquer, o educando precisa tornar-se educando assumindo-se sujeito cognoscente e não como incidência do discurso do educador. Nisso é que reside, em última análise, a grande importância do ato de ensinar. Entre outros ângulos, este é um que distingue uma educadora ou educador progressivista de seu colega reacionário.

" Muito bem", disse em resposta à intervenção do camponês. "Aceito que eu sei e vocês não sabem. De qualquer forma, gostaria de lhes propor um jogo que, para funcionar bem, exige de nós absoluta lealdade. Vou dividir o quadro negro em dois pedaços, em que irei registrando, do meu lado e do lado de vocês, os gols que faremos eu, em vocês; vocês em mim. O jogo consiste em cada um perguntar algo ao outro. Se o perguntado não sabe responder, é gol do perguntador. Começarei o jogo fazendo uma primeira pergunta a vocês".

A essa altura, precisamente porque assumira o "momento" do grupo, o clima era mais vivo que quando começamos, antes do silêncio.

Primeira pergunta?
- O que significa maiêutica socrática?
Gargalhada geral e eu registrei meu primeiro gol.
- Agora cabe a vocês fazer a pergunta a mim - disse.
Houve uns cochichos e um deles lançou a questão:
- Que é curva de nível?
Não soube responder. Registrei um a um
- Qual a importância de Hegel no pensamento de Marx?
Dois a um.
- Para que serve a colagem do solo?
Dois a dois.
Que é um verbo intransitivo?
Três a dois.
Que relação há entre curva de nível e erosão?
Três a três.
Que significa epistemologia?
Quatro a três.
- O que é adubação verde?
Quatro a quatro.

Assim sucessivamente até chegarmos a dez a dez.

Ao me despedir deles lhes fiz uma sugestão: "pensem no que houve esta tarde aqui. Vocês começaram discutindo muito bem comigo. Em certo momento ficaram silenciosos e disseram que só eu poderia falar porque só eu sabia e vocês não. Fizemos um jogo sobre saberes e empatamos dez a dez. Eu sabia dez coisas que vocês não sabiam e vocês sabiam dez coisas que eu não sabia. Pensem sobre isto".

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