JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

Psicotrópicos: Proposta química para estados e oscilações de ânimo indeseajdos (continuação 2),,


  • Falsas Tranquilidades e pseudo euforias

A idéia da pílula mágica vingou, considerada como caminho mais fácil para afastar a depressão ou a ansiedade, vencer a insônia ou o medo. Porém, apesar das cifras atingidas no mercado de psicotrópicos, cresce a crítica à banalização na indicação e no consumo desses medicamentos.
Os que sustentam esta crítica questionam a ênfase dada à bioquímica cerebral na consideração dos problemas mentais, e entendem que os fatores psicológicos, com base familiar e social tendem a ser desprezados ou minimizados. Embora não discordem de que as desordens psíquicas tenham uma interface com a biologia, compreendem que outros aspectos estão presentes nas alterações mentais. Neste sentido as explicações biológicas, fundamentais nas neurociências e o uso exclusivo de medicamentos não são suficientes e em muitos casos, sequer são abordagens mais adequadas diante do problema.
A psicologia e a sociologia, entre outros campos do conhecimento, também têm contribuições a oferecer no enfrentamento de transtornos psíquicos. Afinal tais transtornos guardam relação com o sofrimento humano; a abordagem biológica estrita deste sofrimento tende a reduzi-la a fatores genéticos e bioquímicos. Com isto estamos desaprendendo a encarar o sofrimento com algo natural da vida humana que nos desafia, enquanto indivíduos e coletividades, a repensar nossos modos de viver e de interagir com o meio ambiente social. A negação da dor e do sofrimento através de pílulas mágicas produz falsas tranquilidades e pseudo-euforias, uma vez que artificiais, incapazes de alcançar as origens do problema, aquelas que devem de fato ser trabalhadas e transformadas. O consumo indevido de psicotrópicos produz, ao invés de um equilíbrio emocional, uma máscara química para a alma.
Ainda seguindo esta linha de argumentação, os psicotrópicos atuam como paliativos químicos que não ajudam o doente a conhecer ou elaborar as causas de sua depressão ou ansiedade, por exemplo. Como as causas não são elaboradas, tende-se a estabelecer uma relação de dependência do enfermo com os medicamentos. Apenas em casos específicos se justificaria o emprego destas substâncias e, ainda assim, de maneira decrescente tendendo a ser eliminado na medida em que o paciente consegue atingir um nível mínimo de reintegração ao cotidiano.
O emprego de psicotrópicos, embora capaz de resolver o surto, nos casos mais graves, pode ser acompanhado de outros procedimentos, como a psicoterapia, que possibilita melhor compreensão do que se passa com o doente. Afinal, tão importante quanto investir para que as pessoas saiam da depressão, é possibilitar que saibam o motivo pelo qual entraram naquele estado, que tomem conhecimento de quais fatores podem desencadear crises, sobretudo para evitar que essas crises se repitam. A psicoterapia teria um papel a desempenhar no processo de autoconhecimento das vítimas dos transtornos psíquicos, auxiliando-as a modificarem estas estruturas básicas da personalidade, tornando-se menos vulneráveis as crises.                    
A visão científica e tecnológica, assim como a perspectiva de mercado tende a não considerar, ou considerar insuficientemente, os aspectos da existência humana menos possível de serem traduzidos em números cifras, pesos ou medidas. As emoções, a intuição e a espiritualidade são exemplos de aspectos que estão presentes na vivência humana, embora sejam menos permeáveis à racionalização e à experimentação científica. São elementos que caracterizam a
Natureza, além do ponto em que ela se submete à manipulação matemática. A existência abriga múltiplas qualidades e é justamente esta pluralidade, até certo ponto irredutível que a torna complexa. A construção de uma estrutura racional capaz de considerar os múltiplos aspectos da natureza humana se apresenta, assim, como um grande desafio para a cosmologia humana.

 Fonte: Vitaminas, analgésicos, antibióticos e psicotrópicos - Vantagens e perigos do uso de medicamentos  da indústria farmacêutica mais consumidos no Brasil - Marilene Cabral do Nascimento Ed Vieira e Lent/ RJ 2003.

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