JANEIRO BRANCO: MÊS DA SAÚDE MENTAL, SAÚDE MENTAL SEMPRE

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Falar de saúde mental é compreender que esta é, sem medo de ser audaciosa em minha posição, o território, o recurso natural, a tecnologia mais valiosa da existência que cabe ao ser humano explorar. Como ainda somos estrangeiros dentro de nós mesmos, apesar dos  importantes avanços que somos capazes de criar. 

As perspectivas de crescimento dos transtornos mentais e seus inegáveis danos à saúde e à produtividade por cada vez mais incapacitarem ao trabalho e ao desfrutar da vida, torna-se cada vez mais algo que não mais pode ser ignorado, daí a iniciativa de transformar o mês de Janeiro no mês da Saúde Mental -  JANEIRO BRANCO.

Em muitas ocasiões o PSICOLOGIA EM FOCO falou sobre o quanto se tornou insustentável manter a separação corpo e alma - O penso, logo existo de Descartes, somado a todos os pensadores que forjaram a estrutura e o funcionamento do Ocidente, tem se mostrado ineficaz ao longo dos anos para dar conta da comp…

A DIVERSIDADE, ADVERSIDADE

Por Regina Bomfim


Cada pessoa dá o que tem. Ninguém pode dar além do que tem. Dizer isso não é diminuir o outro, mas reconhecer que cada pessoa tem um universo no qual possíveis desencontros entre tantas diversidades é uma fatalidade. É por isso que o diverso perturba tanto. Sartre falou que o inferno são os outros - Por que quando estou só as gavetas da minha alma estão arrumadas, mas chega o outro e desarruma tudo? O grau deste desconforto pode assumir várias intensidades até até o drástico aniquilamento daquilo que é diverso.

As várias guerras ao longo da história da humanidade, a idéia de que somente um pode ter o monopólio econômico, do conhecimento, da beleza, da fé.. E assim grandes muros são construídos, afinal, só pode existir um vencedor. Nas relações diárias, numa discussão há o lugar daquele que "tem razão", daquele que dá a "última palavra". Mágoas são perpetuadas em função de um diferente inaceitável.

O diverso é uma questão poítica, econômica, social, intelectual, emocional, biológica, ecológica e espiritual que a humanidade terá um dia de se voltar, discutir abertamente sem os subterfúgios da retórica pois a segregação, o aniquilamento e o autoritarismo são meios cada vez mais ineficazes de lidar com o diverso natural que somos frente ao mundo. Existir num mundo que prega a homogeneidade, o "imperativo categórico" de Kant é o desafio de uma vida porque é um constante convite à escolha entre o "fundamentalismo" e a flexibilidade fruto de uma reflexão crítica.

O que costumamos sentir, fazer quando alguém discorda do que pensamos? E quando alguém age errado conosco? Será que está na possibilidade desta pessoa agir diferente? Qual a sua "bagagem", a sua história para agir do modo que agiu? Talvez isso nos ajude a pensar sobre as "correntes'"de mágoas e ressentimentos que arrastamos  por vermos apenas um ângulo da questão, assim como as diversas mensagens que o mundo nos traz. Será que a nobreza e a integridade que tanto reivindicamos dos outros está em nós? A diversidade pode provocar adversidades, mas também outras possibilidades. É um exercício aprender a enxergar os diferentes ângulos daquilo que nos afeta.

O psicólogo onde quer que atue tem como permanente instrumento de trabalho a sua capacidade de ouvir. Ouvir o que é dito e também o que não é dito. Ouvir sem preconceitos para facilitar e tornar a comunicação cada vez mais genuína para que aos poucos o indivíduo/grupo comece a ensaiar,  sentir, e pensar que é possível novos caminhos. Isso é belo.

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