SOBRE AS FESTAS DE FIM DE ANO

"(...)
Muita coisa a gente faz seguindo o caminho que o mundo traçou, seguindo a cartilha que alguém ensinou seguindo a receita da vida normal.

Mas o que é vida afinal?
Será que é fazer o que o mestre mandou, é comer o pão que o diabo amassou, perdendo da vida o que tem de melhor?"

Carlos Colla e Gilson - autores da canção Verdade Chinesa

O fim de ano chegou e está aberta a temporada das festas. Os enfeites, o movimento nas ruas, as propagandas quase sempre com o cenário da família numerosa, feliz e com uma mesa farta. Este é o modelo de festas que costumamos ter em mente ou que nos ensinam a considerar "o perfeito" e algumas pessoas fazem grandes sacrifícios para se enquadrar. Todavia importa pensar em quem não pode cumprir à risca este modelo.

As festas de fim de ano são para algumas pessoas no mundo, catalizadoras de processos depressivos. A onda de comemorações que em geral motivam reuniões familiares e de amigos, costumam causar profunda angústia para pacientes com histó…

As linhas "tortas" do amor

Por Regina Bomfim

Há uma distância que não entendo, de uma vida que só tem o apelo da sobrevivência. Assim parece ter sido feita essa mulher que o corpo e a alma só pensa em trabalhar para cuidar da filha que criou sem pai e a vida é como - "matar um leão por dia" - a falta de tempo;
A vida é áspera como o chão sujo da faxina que a minha mãe precisa fazer pra me criar; não há nenhuma poesia nem harmonia na alma dessa mulher que o corpo é um pano que limpa o chão... não perde tempo por preocupação em nutrir e cuidar.
Sou filha desta mulher que me deu a vida e me sustenta. O corpo dessa mulher guerreira é forte, mas sem identidade porque é uma mente que nunca comtempla; é um corpo e uma mente que vivem em função do trabalho, para comer, vestir, tentar viver.
Sou filha desta mulher que me deixa sozinha e não me entende. Ela trabalha, luta, seu corpo dói, mas ela insiste. Eu a contemplo como alguém distante de mim porque meus pensamentos e buscas são tão abstratos pra ela e me sinto só. Quando tento falar algo mais de mim, ela grita, arregala os olhos e aí eu deixo pra lá. Eu sinto raiva dela e me culpo por isso.
É estranho, sei que ela vive pra mim, mas queria sentir calma na sua presença e poder abrir meu coração, falar dos meus temores... Sei que nisso há amor, mas não entendo.

Ps: Para as mulheres da periferia que criam seus filhos sozinhas.